quinta-feira, 1 de outubro de 2009

desumanidade

somos como formigas indisciplinadas
correndo sem saber para onde
e os cegos pensam enxergar
mas quem enxerga diz: "sou cego"
e atribuem loucura a toda sabedoria...
.. que estavam ocupados demais para entender
e os que julgam saber, pouco sabem
e os que sabem, lamentam não saber
e o homem se fez complexo demais
que já não entende as coisas simples
deixando de ser humano por apenas homem
que já não olha em volta, nem vê o sol
me disseram que la fora é dia
mas parece tão escuro...

domingo, 27 de setembro de 2009

gesticulava
mãos e rosto em expressões absurdas
seu olhar aflito acabava-se em apelos
suas mãos inquietas não tinham voz

gesticulava a todos, mas ninguém o entendia
se ao menos se ouvisse um leve murmurio...
seus gestos eram seu desespero
gesticulava em pausa, como se respirasse

mas não se encontrava, não se compreendia
apenas gesticulava inutilmente
não havia erro em seus gestos
mas a palavra que sentia
era inexistente no mundo dos homens

sábado, 19 de setembro de 2009

Homicídio

Seus pés cambaleavam na escuridão do mato em que se embrenhara, tentava correr mas suas pernas tremiam. Tentava não fechar os olhos para não lembrar-se, mas mesmo perante a escuridão da noite, a culpa açoitava-lhe em sua condenação repentina. Mesmo com o pouco que lembrava...
Havia ferido um homem, fora até ali um cidadão, agora era um assassino.
O desespero já lhe corroía, olhava para os lados aflito, talvez logo chegasse para prende-lo, era um homicida.. um criminoso.. e o que fazer agora? Não sabia como ser um criminoso.
Na aflição de seus pensamentos, não percebeu quando o matagal se transformou em uma movimentada avenida. Olhava apavorado para as pessoas que passavam à sua volta, saberiam do que ele fez? Esperava que a qualquer momento alguém apontasse o dedo e lhe acusasse, mas ninguém se importava com sua presença, apenas prosseguiam.
Tudo desabava à sua volta. Sempre esperou ser algo importante no futuro, mas não isso, não é preciso fazer três faculdades para simplesmente matar um homem.. agora porém sentia que tudo acabava, havia ferido um homem.. sem motivo algum. Mas como ?
Esforçava-se por lembrar da cena, mas ela parecia muito longe, em uma época diferente.. tudo que lembrava era o corpo morto caindo à sua frente. No momento em que se tornara de fato um homicida. Agora fazia parte do lado escuro da sociedade, o que fazer?
Por um momento as palavras vieram-lhe à mente, precisava esconder o corpo, não sabia onde estava mas inexplicavelmente soube pra onde ir. Sua mente parecia muito a frente de seus medos, assombrou-se com a ideia de que já pensava como um assassino.
As pessoas continuavam sem notar-lhe, talvez não houvessem encontrado o corpo ainda, havia tempo, se soubesse como o havia ferido teria mais certeza, não lembrava-se de possuir uma arma, nem qualquer outra coisa que pudesse ferir um homem, talvez o tivesse rendido com as próprias mãos, mas não parecia lógico à seus braços fracos. Mesmo que não soubesse, precisava esconde-lo, e então fugir.
Agora estava à frente do casebre de onde fugira, a porta aberta, do jeito que deixara. Uma luz acesa iluminava o quintal à frente da janela. Esgueirou-se pelos cantos escuros até chegar junto à porta, então parou a escutar... silencio. Após alguns minutos considerou que estava vazia, então entrou.
O corpo estava lá aonde deixara, mas coberto com um lençol, já o haviam encontrado. Tomado de panico, procurou algum lugar para se esconder, não havia móveis, ajeitou-se como pôde atrás de uma porta. Talvez já tivessem notado sua presença, esperavam apenas o momento de lhe capturarem. Seu corpo tremia, tentava controlar os dentes que batiam furiosamente e ouvia. Apenas o silencio. Talvez quem o encontrara jugasse que estivesse dormindo e fora-se embora.. ou talvez ele mesmo o tivesse coberto e não se lembrava. Apesar de já tranquilizar-se, esperou mais alguns minutos, talvez alguém aparecesse.
Tempos depois, decidiu que era hora de agir. Precisava esconde-lo antes que alguém percebesse, e então fugir para o mais longe possível. O matagal ao lado da casa parecia ser um bom lugar, de fato o único, considerando que não tinha ferramentas. Ainda atrás da porta, planejou em silencio cada movimento, em minutos havia tornado-se um assassino frio e calculista.
Mas agora em meio a tudo isso, uma duvida surgiu. A quem ele havia ferido? Por mais que pensasse não podia lembrar. Já convencido de que não havia mais ninguém na casa, foi até o corpo, ainda com certa cautela, olhando para todos os lados. Abaixou-se junto à ele e descobriu seu rosto.
Pôde sentir o tremor súbito dominar-lhe, suas pernas já chacoalhavam, a mente latejava em terror e dúvida. As paredes giravam em vertigem à sua volta, pouco podia entender. Olhou outra vez, a sensação era a mesma, sua cabeça já doía, o cérebro trabalhando condenadamente a solucionar o caso.
E seu reflexo do espelho de todos os dias, agora à sua frente. Estático, branco e frio.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

tempestade

ouvia o som das goteiras, imaginava as telhas quebradas
já contara e conhecia cada buraco observado em dias de sol
o chão em que dormia se umedecia... se encharcava
seus calafrios eram convulsões, suas convulsões, espasmos

a janela quebrada deixava entrar a luz piscante da noite
gostava de ver a chuva quando criança...
sabia antecipar cada trovoada, mais fracas e mais fortes
fazia-se parte dela, trovoes e espasmos
e o vento frio em seu corpo molhado

ficou alerta por um momento, seria perto e grande
como na infancia, tapou os ouvidos , encolheu-se
uma arvore se incendiou la fora.. mas não pode ver
a chama vencida se tornou em fumaça
seria bom ver o fogo, mesmo que não se aquentasse

tentou consolar-se sentindo algo de si mesmo
apenas um coração batendo em meio à tempestade
cravado de seus espinhos... só em definitivo
paredes nuas assistiam-lhe no casebre
relâmpagos refletiam em suas lagrimas
já perdido em sua falta de si mesmo

jogava-se contra suas paredes
forçava algemas invisíveis
odiava sua prisão inexplicável

as trovoadas sacudiam as paredes e o teto
diante de seu rosto placido, seu choro silencioso
não tinha medo, não podia senti-lo
seria parte da coragem que já não tinha
agora era constante, covarde
se tivesse medo, seria da morte
mas já não tinha coragem de viver
seria só um rosto... sobrevivendo..

mas por que não desistira?
de que era feito esse fio que lhe segurava?
talvez de que sonhara quando menino?
de algum sorriso perdido no mundo?
e se realmente tentasse?
o que tinha a perder?

viu-se misteriosamente vivo
a luz da noite era diferente
lembrou-se de dias distantes
encontravam-se outra vez

olhou pra si mesmo, o que era, onde estava
tinha vergonha das roupas rasgadas
de sua pele suja, barba e cabelos desgrenhados
como se tornara nisso?
como se acordasse de um sono profundo
enxergava nitidamente, sem as nuvens de outrora

seu pequeno fio era agora uma corda
enfurecia-se de onde chegara
seus punhos contra o chão molhado
não se compadecia, tentava dar novas forças
aos membros a muito esquecidos

acariciava as paginas sujas
tentava colar os rasgos com lagrimas
podia vislumbrar palavra a palavra
sob a luz de cada relâmpago

"seria"
ecoava-lhe na mente, decidira-se
"seria"
calculava, empolgava-se
"seria"
o que seria?
uma duvida invadia-lhe a mente
o que poderia ser? agora?

sentiu mais uma vez os músculos fracos
não podia ser nada enquanto chovesse
teria de esperar... sempre a espera
seus calafrios diminuíam
seu corpo já gelado não tremia

a espera...
tentou fechar os olhos... tentou sorrir
e esperar...
"se amanha não chover..."
as trovoadas cada vez mais distantes
"se amanha não chover..."
o som ao longe de uma sirene
"eu posso ser alguma coisa..."
mais sirenes.. mais trovoadas
"mas o que? "
uma arvore caindo, agora sim chamas
"não sei.. qualquer coisa."
som de passos lá fora, se aproximam
"posso ser o que você quiser"
som de passos lá fora, se afastam
"talvez possa ser bom... poderia?"
a chuva cessa... as trovoadas se distanciam
"esta decidido..."
por entre as nuvens surgem de novo estrelas
"amanha vou ser melhor que hoje."

seu pequeno fio agora é um pilar
uma esperança incompreensível
que leva o homem a ter sonhos.
talvez contente, talvez zombando...
a lua espia sorrindo
e prossegue sua noite.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Abre parenteses (...

... para repassar um selo que ganhei de uma escritora que admiro muito : Juliana Lima ( Impressões que viram expressões ) , sinto-me muito honrado em receber tal selo, então vamos a ele:



E as regras:

1.exiba a imagem do selo "Olha que blog maneiro"
2.poste o link que te indicou.
3.indique pessoas de sua preferência.
4.avise o indicado.
5.publique as regras..
6.confira se os blogs indicados repassaram os selos e as regras.

Eis então os blogs indicados:


Autores SA
Não Analisa Não
Espirito da Meia-Noite


bom.. por hoje acho q era só isso, fecha parenteses ).

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Caixa de Vidro

O desespero escondido...
atrás do sorriso falso.
batendo contra as paredes
num desgaste inutil.

Dentro do olhar sombrio,
um grito abafado
um soluço contido,
espinhos que não saem sem sangue

perdendo o resto das forças
um só sussurro por liberdade
restos da alma despedaçada
no vácuo de uma caixa de vidro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

bobo

que dizer agora?
dessas lagrimas que correm no silencio
eu .. vitima de eu mesmo...
minha mente confusa se autodestruindo
ignorante quanto ao que sou
arrependida do que não sou
vulnerável à você como sempre
ferido das respostas que eu mesmo provoquei
por que sou assim?
por que me trato assim?
minhas mãos inertes
meu corpo aflito..
afundado em minha falta de coragem
meu desejo egoista e tolo
de um dia dizer que fui somente seu

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Abre Parenteses (...

... para repassar dois selos q ganhei (como sempre com um considerável atraso...). Os selos são esses aqui:

Vale a pena acompanhar esse blog :



Muitíssimo obrigado à Sarah Toledo ( NÃO ANALISA NÃO ) e à Kelly GCD ( SONHOS DE MENINA ) por este selo .

Regras do selo:

1. Exibir a imagem do selo "Vale a pena acompanhar esse blog!" que você acabou de ganhar, com o link do Blog de quem indicou e um link do criador do Meme.
2. Escrever as regras em seu blog.
3. Indique no Mínimo 5 blogs e coloque os links de seus indicados no final do post (O limite máximo de indicações de blogs cada um determina conforme achar conveniente).
4. Avisar a pessoa que você a indicou, deixando um comentário para ela.
5. Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Objetivo deste selo: mostrar reconhecimento aos valores dos blogueiros, que a cada dia demonstram empenho por transmitir valores sejam eles,culturais, sociais, éticos, pessoais ,literários ,entre tantos outros valores que cada um possui. É também uma forma de interação entre nós, blogueiros!Palavras da Clau do
http://mundodarkness.blogspot.com/

6.Responder as perguntas:

1 - Por que resolveu criar um blog?
Essa é uma pergunta interessante, confesso que tive que me esforçar um pouco pra me lembrar por que patacas eu inventei de montar esse blog... Acho q a resposta mais convincente é que resolvi voltar à escrever para dar um jeito nos sentimentos que ficavam presos por minha timidez habitual, publicar aqui ajuda a amenizar minha carência por atenção através dos comentários dos queridos e pacientes leitores :) .

2 - O que te dá mais prazer em blogar?
Duas coisas: a primeira é encontrar pessoas que também sintam e tenham gosto pelas palavras... Já encontrei por aqui expressões únicas que não encontraria nem no mais consagrado dos livros, e tive a felicidade de ganhar amigos maravilhosos (obs: tbm considero amigo você que tem paciência de ler meus textos chatos e até deixa seu comentário aqui, obrigado ).
A segunda coisa é essa maneira impressionante de se mostrar ao mundo sem na verdade se mostrar, como se estando nu e ao mesmo tempo vestido, o mostrar o que sinto sem o que sou ou o que sou sem o que sinto, pois o que sinto é poesia e o que sou não é nada.

3 - Qual o assunto que você mais gosta de postar?
Bom, sobre isso não há preferencia, o que sinto eu escrevo e vou publicando à medida em que escrevo, quando escrevo muito, guardo pra quando não sentir, é mais ou menos isso.

4 - Porque escolheu esse nome para o blog?
Bom, minha criatividade estava meio baixa e ai já viu né.... na verdade o que eu quis dizer com "Page not found" é que isso é uma pagina perdida dentro de mim... um lugar inacessível pelos meios usuais que eu chamo carinhosamente de porão... é onde guardo essas coisas todas aqui...

5 - Você costuma visitar outros blogs?
Sim, na maioria das vezes tão frequentemente quanto posto aqui (ou seja... ), existe muita coisa boa por esses cantos insondados do blogger, ao bom minerador cabem as impressões perfeitas.

Ufa! acabou as perguntas, agora, repasso esse selo para:

Fernanda Acioly - Licença Poética
Davi Machado - Espírito da Meia-Noite
Juliano Greenwood - Man in the box
Ambar Girl - Suicide Virgin
Gilvania Duarte - Um sonho perdido


Agora o outro selo:

Vale a pena ficar de Olho nesse blog



Sou muitissímo grato à Gilvânia Duarte ( UM SONHO PERDIDO ) , grande escritora e titular do banner de topo do page not found =P.

As regras, vamos la:

1. Postar o nome do blog que indicou o selo.

2. Indicar 10 blogs e avisá-los.

3. E verificar se os blogs indicados estão cumprindo as regras.

Bom, então, repassando para:

Camilíssima Furtado - Caixa de Pandora
Sarah Toledo - Não Analisa não
Kelly GCD - Sonhos de Menina
Juliana Lima - Impressões que viram Expressões
Ana Raquel - E depois parecia que...
Dani Santos - Retratos, Cores e Silencios
Victória Duarte - Meu Cantinho
Sidarta Cavalcante - Sidarta Cavalcante



Bom, acho q por hora é isso, se eu esqueci de alguma coisa, por favor alguém me avise porque eu ando mais perdido do que marimbondo em formigueiro... fecho esse post com a inquietante sensação de que falei (ou escrevi) um pouco-muito a mais do que o limite do agradável, de qualquer forma, não precisa ler tudo. Parabéns aos indicados e sem mais nada a dizer e com os olhos já carregados de sono (hora de criança ir pra cama) ...

fecha parenteses ).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quisera....

quisera ter um dicionário
que desvendasse os sentimentos
por trás de cada palavra
que olhasse bem nos olhos de quem fala
lendo em todas as letras

quisera ainda uma antena
que captasse seus sentimentos
que transmitisse meus abraços
tudo em tempo real
em qualquer lugar e a qualquer momento

talvez também qualquer coisa
que me leve no espaço e no tempo
até o lugar e momento exato
onde possa encontrar você

perdão... minto sobre tudo isso
bugigangas já não me servem
invenções já não me consolam
só queria estar com você.

domingo, 16 de agosto de 2009

saudades roubadas

É o que sabe, é o que não diz, mas reflete em seus olhos enxarcados de fim de tarde, de algum sonho esquecido soam ecos, inexplicáveis saudades de pés descalços e bolas de gude, de conversas assentadas na poeira do chão, suor de dia quente respirando ar puro. Das invariações dessa casta inocência do riso natural e sem motivo.. sem motivo lembra.. sente.. mas como , se não viveu? acaso não seriam quartos escuros janelas fechadas, paredes mofadas? De que natureza roubaste tais lembranças? Por que sentes se não viveu, tal seria o tempo a ferir até o negro da alma? Ou a felicidade um recurso vital que se procura por instinto? O que não foi e mesmo assim se sabe, que não se vê mas mesmo assim se procura... apenas vontade de ter vivido.







Não.. não... não pare agora.... podemos continuar até que o mundo seja nosso, talvez só esperar um pouco.. até ver essa fraqueza passar... não sei, não sei, meus olhos se fecham... apenas diga mais uma vez, apenas fale-me qualquer coisa... gosto tanto de sua.. pronúncia...